quarta-feira, 17 de julho de 2013

E as férias de julho, que tal?

E vamos falar das férias, das minhas em específico; elas até que estão cumprindo seu papel. Tenho descansado, regulado meu ciclo sono-vigília, que nos últimos meses estavam um verdadeiro contínuo de vigília, interrompida por cochilos intransigentes. Tenho dedicado tempo a leituras aprazíveis e caminhado ao entardecer, após o café. Novos ares, e até uma gripe providencial veio me agraciar também! Ah, porque a doença é providencial algumas vezes! A gripe, que é claro, foi um mero resfriado, me deixou perceber melhor os meus limites físicos e por que não, também os mentais? Há sempre um vislumbre de novo "eu" quando adoecemos, seja um "eu" carente, seja um "eu" reflexivo e que se propõe atentar para novas medidas dessa existência frágil. Na doença fiz grandes progressos no sentido "férias para se (e si) curtir", seja por deixar meu espírito mais feliz provando novos chás e os adocicados mil da culinária curandeira mineira, seja por entrar em contato com certa meditação que surge espontaneamente com o ficar de pijama através do dia e se deixar ficar parado ao sol após ter acabado de acordar! Essas sutilezas da doença providencial contribuíram significativamente para meu descanso mental. Ainda sobre minhas impressões desses dias de ócio, mas nem tanto, descobri que me emociono com jogos de futebol mais do que imaginava, estou muito ligada ao possível título da Libertadores da América do meu querido time Atlético Mineiro! Ah, esse emocional primitivo e bruto que insiste em se manifestar e que tenho certeza, vai além do meu pobre inconsciente vazio! E já que vim para esse lado da conversa, descobri que Lacan e os estruturalistas me chamam mais a atenção do que eu imaginava! Tenho dedicado um tempinho a eles também, por esses dias. Outra leitura interessante que tive hoje foi sobre a "Teoria das Descrições" do Russell, a filosofia da linguagem às vezes é tão matemática! Estou começando a me desligar da antiga rotina, mas sei que minhas próximas e últimas duas semanas de transcendência rotineira não sobreviverão mais que seu tempo contado, meu desejo é, pois, estar cansada do descanso até que as aulas recomecem! Façam figa por mim, e pelo "Galo" também, caros leitores!

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Sobre os protestos

Sobre a questão das manifestações e protestos no Brasil, quero pontuar algumas questões, sem pretensões de dogmatismos ou tomadas de direita, esquerda e variáveis. Desde o início nota-se um caráter rizomático no protesto, que se estende a vários setores do denominado "bem comum", levando por vezes a um paradoxo protestante. Quando vai as ruas, um indivíduo segurando cartaz pode notar um protesto por razões opostas ao olhar para o cartaz da pessoa ao seu lado, eis uma diversidade um tanto intrigante. O mérito do movimento espontâneo e coroado pela paixão e indignação comum tem em contrapartida o demérito de não possuir demanda específica. Há certo aguardo de um líder por alguns, ou uma liderança, para que se gere credibilidade, para outros a extinção de qualquer exibição de cargo de poder é o cerne do movimento, cerne perigoso. O que se aguarda, de fato, embora ainda não de forma muito contundente é uma resposta qualquer. Houve a resposta para o aumento da tarifa, núcleo inicial dos protestos, mas tal resposta parece destoante agora das pretensões estendidas da indignação, relativas a diversos setores. Pode-se dizer que além das respostas aguardam-se consequências, mas quais são realmente as perguntas e reivindicações chave? O PEC 37 se destaca, saída de Renan Calheiros do Senado também. Mas há falta de articulação no movimento com relação à estes, e com ela, falta de intelectualização. Aliás, a intelectualidade está em abstenção ou não quer receber esse título até o momento. As redes sociais propiciam protestos des-intelectualizados, permitem a integração de todos ao projeto, mesmo que não queiram racionalizar sobre o problema, pode-se apenas protestar. A obtenção de uma resposta em Brasília parece ser a direção mais evidente para um desenlace, contudo a presidente não se posiciona ou faz discursos de valia, seja pelo seu despreparo, por sua falta de opinião, ou por ter sido preparada como sucessora de um partido e não como pessoa política competente para o seu cargo. Um desfecho perigoso que tem vindo à tona é a abolição dos partidos. Há quem clame por isso. Uma mostra de que a indignação brasileira precisa se refinar ainda, pois a solução de problemas civis não deve ser apolítica; acabar com um sistema funcionante de organização pública é um viés de alguns desinformados protestantes que provam ser as manifestação no Brasil distantes das as de um país desenvolvido, ou no mínimo politizado. A dificuldade em dar resposta para as manifestações diversas e a generalização das ideias do protesto persistem. Os manifestos que pegaram carona com a tarifa de ônibus correm o risco sim de ficarem sem resposta resolutiva. O movimento Passe Livre, que creio não chegará a conseguir seu real intento com tais manifestações, tanto que se absteve momentaneamente de protestos após o anúncio da redução da tarifa em São Paulo, tem um ideal que implica no direito de ir e vir da população, reconhece que o estado deve garanto-lo. Outro ponto é o do dinheiro público financiando o transporte individual com os IPIs reduzidos anunciados, um engodo, mas quanto a este não vi ainda protestos sobre. Ainda sobre o desfecho de tais movimentos, há quem diga que quem se beneficiará seja a extrema esquerda. Há a desmoralização do congresso, políticos e democracia brasileira, esta principalmente a nível internacional. A imagem de um grande Brasil, país do futuro, está se transformando em um conto do vigário na Europa; o tal futuro glorioso do Brasil caiu na taxação de falsa propaganda internacional. A diminuição dos investimentos no país me parece uma consequência econômica a médio prazo, a instabilidade não sai de graça. A curto prazo o progresso econômico parece se restringir à ocupação das ruas e ao bloqueio da movimentação física, sem passagem, há estagnação física e de capital regional. Pode ser que o movimento esfrie, as férias escolares podem agora jogar à favor do governo, nesse caso, pode ser que cada vez mais baderneiros venham a se aproveitar, vindo a justificar uma repressão mais forte ou um caos geral. Mas, tenho esperanças de que o movimento perdure até que se consiga racionalizar sobre ele, que se possa levar de forma refinada os ideais que são íntimos dos brasileiros a uma concretização e consolidação política.

Relacionamentos

Relacionamentos podem abarcar para si várias nuances. Romancistas podem-se utilizar de inúmeras e rebuscadas adjetivações. Falemos dos relacionamentos em um plano geral: Alguns são efêmeros e intensos, outros insossos e duradouros, as qualidades podem se mesclar e assim conhecemos e nos envolvemos ao léu. A capacidade do ser humano de se relacionar exige uma condição própria de identificação e uma de que existe um outro, um "não eu" para quem se dirigir. Sartre dizia que quando se fala em "Para-Si" não se deixa de encontrar alteridade na própria existência, podemos estabelecer relações com nós mesmos. Entretanto, não foquemos na questão gramatical ou filosófica de alteridade, cabe aqui a questão do comportamento perante o outro. Quando conferimos a característica de "outro" em nossa ação e pensamento, estamos estendendo nossas particularidades a um espaço em que o que está à mostra pode ser apreendido por outrem ou pode apenas vagar na atmosfera. É um risco! Esse espaço sonoro, físico, visual quando adentrado, quando moldado por um ser-humano perante outro, pode ser aceito, pode ser descoberto, pode ser interpretado e assim chegamos ao fenômeno da comunicação, pautando e perpassando o que conhecemos como as nossas relações. As diversas linguagens existentes para codificar o pensamento e sua transmissão são catalisadores de possíveis vislumbres de comportamentos. Um comportamento só pode ser caracterizado como tal à medida em que conseguimos vislumbrar sua imagem em um espaço e nos relacionarmos com ela, compreender é saber se relacionar com a produção alheia, e o ambiente que propicia esse encontro entre seres é o responsável por transportar nossas relações. O ambiente é um trem carregado de carga, e a carga é a nossa bagagem, bagagem intelectual, sentimental, tradução pura de nosso ser. O ambiente então poderia interferir e favorecer a tenacidade de nossos encontros com semelhantes tão incisivamente quanto o conteúdo de nossos pensamentos? É possível! As circunstâncias já moldam as adjetivação, o que é um indício de que podem moldar também o sentido (há quem diga que o significante - que no caso aqui consideraremos como o adjetivo - seja todo o sentido). Uma mulher apaixonada e disposta a tudo por seu amor, se apenas namorada de um homem contempla a personificação de "apaixonada irrefreável", em contrapartida, a mesma mulher enamorada de um homem, mas um homem que seja já comprometido matrimonialmente pode ser rotulada de "egoísta" e "vigarista" por seus ímpetos. Moralidades opostas e um mesmo sentimento. A forma como esses dois casais irão se relacionar, assim como a forma como adjetivamos tais relações, é também diferente. As circunstâncias favorecem e desfavorecem as relações nos seus mais sutis detalhes. Não se necessita de longas distâncias geográficas ou diversificação de cultura e religião para que nossa existência e liberdade de comunicação e conhecimento de um outro sejam perturbados. Às vezes me pergunto, relacionamentos fadados ao fracasso realmente existem? Conseguiremos fazer um teorema meticulosamente calculado para reconhecê-los? Talvez existam, a física ainda é um tanto arisca aos nossos parcos padrões de tradução e comunicação, mas a aleatoriedade da vida implica em nossa liberdade de expressão em seus mínimos detalhes, como seria a experiência de se poder ter a comunicação perfeita? Seria a salvação das relações como as conhecemos? Há uma máxima de Charles Darwin: "Não é o mais forte da espécie que sobrevive, nem o mais inteligente. É aquele que melhor se adapta as mudanças." Relacionamentos estão em constante mudanças, assim como os seres, saber avaliar essas mudanças e ser entendido em cada avaliação pelo outro é a chave e talvez a "magia" entre dois seres, por isso best sellers não exitam em glorificar o diálogo e os psicoterapeutas também. Saber se expressar em circunstâncias adversas, delimitando o próprio querer, o próprio amor e a própria expectativa é um passo para que rompimentos efusivos e desesperados entre pessoas não ocorram. Porque afinal, a maioria dos distanciamentos entre indivíduos é puro mal-entendido.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Clarice se inclina a acreditar que a vida em nossa esfera óptica seja um engodo maior que em relação à esfera onírica. Tem pirraça moral constante para conseguir manter a lógica e racionalidade, e necessita de jogos mutiladores do seu aspecto físico e confabulante. A música parece mais próxima da realidade derradeira e do sentido derradeiro que uma interlocução débil. Sofrer por amor, ela pensa e abstrai, é uma expiação enganosa de todas as esferas, cognitivas, psicológicas, e se pergunta: "Nos traímos quantas vezes em um espaço sonoro?"

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Carolina tinha os cabelos castanhos e a pele amendoada, não os olhos, os olhos eram cinzentos, ah, as janelas da alma! Carolina acorda as seis da manhã e passa batom cor carmim para ressuscitar a alma, não quer mais trabalhar em pronto atendimentos, acredita que a vida seja natural assim como a morte. Entretanto, se sente com o ego ferido, esfaqueado e para não entrar em choque tenta um último paliativo, vai contra suas próprias regras, vai contra seus princípios, Carolina tenta usar o véu humano da sobriedade, talvez ela consiga comer ou se sentar à mesa, com algum esforço. Os olhos fundos estão sendo cantados e encontrados por aí, Carolina não ama ninguém e talvez queira não ser amada, Carolina quase come as pessoas em seu sortilégio de cada dia, talvez tenha se perturbado com sua fraqueza diante de uma semana mal vivida, uma vida de aprendizado para uma queda tão vil. Carolina quer se esfaquear, mas não sabe fazer isso, tem asco do próprio sangue e da própria desilusão previamente criada para que chegasse a esse ponto de despersonificação induzida. Carolina não tem nome, deveras, só cadernos e rascunhos pretensiosos. "Carolina, com seus olhos fundos, guarda tanta dor, a dor de todo esse mundo."

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Há experiências e acontecimentos súbitos movidos pela volição incontida que realmente revelam em um instante o mais íntimo de alguém do que alguns anos de irrisória iniciativa pessoal para com os outros. Quando configurar um dano ou perda material é base para acordo de um término de relacionamento a situação neurótica parece ter chegado ao extremo. Agir como se o mundo fosse terminar onde o desejo não satisfeito termina constitui cerne de atitudes vulgares de cada dia e cada noite mundana. Particularmente, acredito que essas situações tenham apelo ao bom desenvolvimento do ego no decorrer da vida, embora unicamente quando em restrição, quando em tempo limitado. Situações extremas devem ser experimentadas com gosto, em todos os seus âmbitos, lados e pontas, deve-se deliciar-se com cada tênue limite perpassado, cada notória mudança de conduta ininteligível e idiossincrática. Eis mesmo um cenário de beleza! Entretanto, fazer dessas um hábito gera asco e sombra ao indivíduo, como toda repetição compulsória que antes deveria ser apenas fugaz (ou memorável) desconstrução ou reconstrução individual. Talvez uma situação extrema seja um engodo para nossas percepções de nós mesmos, ou viver no limite só ressalte o egoísmo ou empatia de cada um, como já previsto.

domingo, 19 de maio de 2013

Forjar o desencontro assim como forjar encontros não é lá tão louvável. Qual será o limiar da naturalidade? Qual será o limiar entre o acaso e nossa intervenção pró-ativa no desenrolar de momentos? É instigante imaginar que em dez anos uma pessoa pode não ter notícias de outra de quem gosta e em seguida se ver casada com a mesma com um simples telefonema permeando tais situações. As relações têm sido tão projetadas e somos tão obcecados por pessoas de quem não gostamos, sofremos por alguém que não nos interessa na realidade, no âmago. Eis nossos simulacros de esquiva à perda! Talvez a paz de espírito possa resolver ou salvar nossos relacionamentos.